sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Capítulo XV - Café de manhã

O ruído do interfone começa a misturar com o do celular de Marcelo, quando ele, meio ressaqueado do domingo e do pós-cinema acorda e olha para o relógio. São quase 9 e meia. No celular o nome de Marinis pisca junto com a melodia. Marcelo atende e pede a ele que suba. Desliga o telefone e se vê com uma preguiça enorme e um cansaço em todo o corpo. Se levanta, coloca um roupão e abre a porta. Vai até a cozinha, abre a geladeira e vê o que tem de opção. Liga o fogão e coloca uma água para esquentar para o café. Marinis toca a campainha na sequência. Marcelo grita que a porta está aberta e abre o armário para ver o que tem de opção pro café da manhã. Se dá conta que Marinis não entrou em sua casa. Vai até a entrada e abre a porta para Marinis. Ele pede licença e entra. Marcelo tem uma cara de quem está com muita ressaca, cabelo meio em pé, olho meio aberto, e cheirava álcool, cigarro e perfume. Marinis logo identificou que a noite anterior havia sido da pesada para Marcelo. Marcelo o convidou para sentar na cozinha. Perguntou o que ele queria comer. Marinis se espantou com a possibilidade de poder escolher e disse: Café, só! Tá ótimo. Marcelo disse: Ai, nem! Que falta de graça. Vou te preparar uns ovos com bacon igual café da manhã de filme americano. Brincadeira, vou fazer uma surpresa. Coisa rápida. Marinis, disse: Claro. Como quiser. E Marcelo saiu da cozinha e disse para Marinis esperar que já voltava. Foi até o banheiro do seu quarto e colocou a banheira para encher. Marinis saiu da cozinha e foi até a varanda. A vista de Marcelo era realmente muito privilegiada em relação ao quarto da vítima. Marcelo voltou e viu Marinis na varanda olhando para a janela. Me desculpa, Marinis, disse Marcelo ao passar pela sala indo em direção a cozinha. E Marinis pergunta porque indo atrás de Marcelo na cozinha. Marcelo está passando o café no coador quando Marinis entra e volta a perguntar o porque do pedido de desculpas de Marcelo. Ele diz: Por ter perdido a hora. Ontem o encontro foi divino. Ah! E Marinis diz: Claro! Não se preocupe com isso. Aliás esse café tá com um cheiro ótimo, hein? Marcelo sorri e diz: Espero que melhor o gosto que o cheiro. E pergunta a Marinis. Marinis, o que mais que o senhor descobriu do caso? Marinis se assusta pela pergunta de Marcelo e lhe responde com outra pergunta: Eu vim aqui para eu ou para você colher mais informações? Marcelo assustado com o tom rispido com o que soaram as palavras de Marinis, disse: Tudo bem, doutor! Marinis percebendo que havia sido indelicado com Marcelo sentou-se em um banco e se calou. Marcelo pergunta descontraindo: Mas queijo você come, né? Marinis sorri e responde que sim. Marcelo serve uma xícara de café a Marinis e outra para ele. Conduz Marinis até a varanda e diz a ele: Vamos às vias de fato. Você veio aqui para saber a respeito do meu texto, não foi? Marinis assente com a cabeça enquanto Marcelo segue falando: Pois eu escrevi ele sim. Tá ali prontinho pra você ler. Mas quero me envolver mais nessa história. Me conta alguma novidade aí, vai? E Marinis lhe diz: Marisa Prieta. Marcelo se empolga: O nome da vítima?! Marinis assente novamente com a cabeça e completa e a briga no bar daquele dia rendeu muita história. Marcelo pediu a Marinis que lhe contasse a história. Marinis reprimiu a Marcelo dizendo que ele quem estava ali para recolher mais informações e onde estava o texto. Marcelo pediu a Marinis para esperar para ler o texto dele enquanto estivesse no banho, pois estava preparando o ovo com bacons a la Marcelo do dia. Marinis achou graça e disse: Como assim, se saímos juntos da cozinha? E Marcelo brincando: Eu tenho meus truques. Os dois se colocam a rir da situação. Marinis resolve atender ao pedido de Marcelo e lhe conta um pouco sobre a história do bar e acaba deixando espacapar algumas informações sobre o porteiro contadas por Giuliani que Marcelo logo confirmou ao lembrar-se do porteiro daquela noite vir do ButeKim de onde tomava uma café. Lembrava porque foi ele quem tinha lembrado a Marcelo do troco que havia esquecido e voltara para pegá-lo. Mas não contou isso a Marinis e interrompeu a conversa quando sentiu o cheiro de queijo tostando. Correu até a cozinha e deixou Marinis na varanda. No balcão que divide a cozinha e a sala, Marcelo coloca dois jogos americanos, uma cesta com umas torradas, geléia de morando, a garrafa de café, uma caixa de leite e um pão de forma integral com queijo, tomate e óregano grelhado tipo misto-quente. Marinis se assutou com o café da manhã de Marcelo. Sentaram e comeram. Marinis ficou ainda mais espantando com a combinação do que ele achou a primeira vista ser um misto-quente, o surpreender com um gosto de pizza marguerita logo no café da manhã, mas que era muito gostoso. Assim como a geléia de morango. Entre mais cafés, Marinis deixou escapar um pouco mais da história de Naldo a Marcelo que as ouviu como fonte de inspiração para seu livro. Terminado de comer o café, Marcelo trouxe o notebook até a sala e o deixou ali aberto para que Marinis pudesse ler o seu texto sobre a noite do assassinato de Marisa Prieta. Pediu licença e entrou para o banho. Mal sabia Marinis que era uma banho de banheira pois não tinha hora certa e menos ainda cedo para chegar ao trabalho, já que já havia feito o trabalho na noite anterior. Marinis foi limpando um resto de café no canto da boca e foi correndo ler o que Marcelo tinha escrito. Pegou o laptop e leu uma vez. Rápido. Com algumas paradas que não chegavam a lugar algum. Levou o computador até a varanda. Sentou-se ali e se fixou nas situações mais concretas do texto. Ela estava sentada sobre ele. Ele provavelmente estava amarrado na cadeira, porque não reagia ao jogo de sedução e provocação que ela aplicava. Nem mesmo a um forte tapa ele reagiu. Talvez por isso ele a tenha matado. E quando Marcelo começava a supor no seu texto, Marinis lia um pouco mais adiante para tentar peneirar a informação no texto. Logo se dava conta: A luz daquele apartamento que propiciara uma noite tão sado erótica permanecia havia permanecido acessa no dia seguinte. E entre histórias pessoais, Marcelo contava o número de vezes que havia visto a luz acesa. O relógio já ia batendo em 10:40 e Marcelo ainda não saia do banheiro. Marinis copia o arquivo em um pen drive. Ao fazer a cópia vê o texto do livro que Marcelo está escrevendo. Copia também. Quem sabe não é legal o que ele escreve. Vamos ver! Pensa Marinis. Chega até a porta do banheiro e não escuta barulho de chuveiro. Vai até a sala, come mais uma torrada com geléia. Volta até a porta do banheiro e diz: Marcelo? Tô precisando ir pra delegacia. Você vai demorar? Marcelo hesita em levantar para passar o arquivo a Marinis quando ele comenta. Posso copiar o teu texto num pen drive? Marcelo aliviado, pensa no seu banho relaxante e responde que sim. Que basta ele puxar porta quando sair que ela tranca sozinha. Marinis sai empolgado e rápido. Marcelo se assusta com a velocidade que supostamente Marinis tinha copiado o arquivo. Em poucos segundo Marcelo escuta o elevedor chegar no seu andar e descer até o térreo. Tranquilo, acende o cigarro ainda na banheira

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