segunda-feira, 6 de abril de 2009

Capítulo XXIII - oh happy day

Marcelo levantou na hora do almoço. O trabalho era muito pra compensar o dia anterior e exigia horas de computador, textos, internet, fotos, telefonemas, e a manhã de Marcelo terminava às 14:30. Quando ele não tinha mais o que fazer em casa e teria que ir até o jornal para realizar ali decidiu que antes ia comer e rapidamente fez um macarrão ao álho e óleo e almoçou. Tomou um gole de suco de caixinha, fez um cara meio ruim, misturou com um pouco de água e terminou o copo. Colocou o copo sobre a mesa e acendeu um cigarro. Tragou e nada pensou. Esqueceu do trabalho, que lhe apressava pois não poderia demorar tanto para chegar ao jornal, mas fumou calmamente seu cigarro. Levantou e foi fumar na varanda. Quando chegou na varanda, olhou para a janela de Marisa Prieta. Estava com uma cortina baixa. Olhou para a rua e terminou seu cigarro enquanto pensava em como poderia ajudar a Marinis a desvendar o caso. É tão difícil, pensa Marcelo, não tinha impressão digital, ninguém viu entrar nem sair, só quem viu fui eu! Se espanta e levanta a cabeça arremessando o que sobrava do cigarro. Vê a janela do quarto de Marisa Prieta com uma média luz. Fica intrigado e observando. A luz oscila e percebe a presença de alguém. A luz se acende, um homem abre a cortina. Marinis, de pé, tem alguns papéis nas mãos. Em um cadeira, ao canto, um outro oficial está mexendo no computador. O que abriu a janela começa a procurar por evidências na casa com uma lupa. O celular de Marcelo toca. Ele olha a hora e já são quase quatro da tarde. É do jornal! Ele fala. Não se deu conta que ficou na varanda vendo a visita de Marinis no dia seguinte à conversa que tiveram ao apartamento da vítima. Deixou o telefone tocar até desligar. Saiu correndo de casa e deixou o celular para trás. Entrou no elevador. Desceu e parou em alguns andares e Marcelo se impacientou. Olhava no relógio e batia o pé no chão. Quando chegou, saiu apressado em direção ao Butekim onde sempre haviam taxis. Pegou o primeiro da fila e disse pro motorista: Pro Jornal de Minas Gerais, e pisa quente que eu tinha uma reunião às três e meia! O motorista olhou para Marcelo e achou graça do jeito que ele falou e retrucou: Pode ficar tranquila, que chegamos antes mesmo que você pense que chegamos, me entende? E Marcelo pergunta: Tran... quê? Ah, sei lá! Anda logo, chega rápido. Ele acelera e realmente chegam muito rápido no jornal. O trânsito colabarou e era bem perto. Marcelo pagou e saiu sem se despedir do motorista. No jornal, muitas reuniões e pautas para os próximos dias. Vários eventos e festas das quais a presença de Marcelo era de função até mesmo lobbystica para ele e para o jornal. Então foram reuniões com chefes e com sua equipe de trabalho. Horas e horas, atualizando-se sobre os quens e os ques do que tinha rolado. Fazia um breve estudo para saber sobre como ia a vida de algumas pessoas que lhe dariam entrevistas e matérias, e se atualizava em nomes pela lista de convidados que recebia antes de uma fonte que ele não entregava de forma alguma. E essa lista completa ele guardava em casa. Só levava ao jornal alguns nomes que tinha para debater sobre eles. Cafés e cigarros. Cigarros e cafés. As horas passaram e Marcelo chegou em casa pouco mais de 9 da noite. Pegou o telefone e viu que haviam algumas chamadas não atendidas. Várias do jornal. Olhou a hora e ligou para o Marinis. Oi, Marinis. É o Marcelo, tudo bem? Marinis respondeu que sim. Marcelo perguntou se ele tinha descoberto mais alguma coisa e Marinis disse que não. Marcelo ficou incomodado com aquilo pois havia visto Marinis ler alguns papéis e separar alguns. Foi incisivo e disse: Mas nem hoje à tarde, na casa de Marisa Prieta? Marinis retrucou: Mas o jornalista tá fazendo o dever de casa dele, hein? Ô Marcelo, você não me vai publica nada dessa história não hein? O bicho pega pro seu lado. Marcelo responde: Que isso, Doutor, sabe que eu tô do seu lado, da polícia. E vi porque moro aqui em frente, só por isso. Marinis concorda com ele e insiste que realmente não havia achado nada de novo. Mas que seguia trabalhando no caso, apesar de quererem arquivar por falta de prova. Mas ele ainda acreditava. Marcelo ficou assustado. Após alguns segundo de silêncio Marinis disse: Marcelo, fica tranquilo, qualquer novidade eu te ligo. Tchau, boa noite! E Marcelo respondeu quase que automaticamente, Boa noite. E Marinis desligou. Marcelo pegou co computador e sentou na varanda. Abriu seu livro e olhou para a janela. Não conseguiu escrever nem duas linhas. Parou, acendeu um cigarro, destampou um vinho e ficou ali por quase duas horas. E o texto de Marcelo não ia muito pra frente pois ele não conseguia pensar em nada que Marinis pudesse ter encontrado naqueles papéis, até que pensou que poderia haver alguma coisa com nome ou algo assim e pensou em um nome de mulher. Marina. E escreveu. Parou, pensou em voz alta: Marina? Abriu o msn. Marina estava conectada. Ele em modo off line ficou pensando essa Marina é minha vizinha, só pode ser! Não posso colocar o nome dela. Apaga o texto e começa a pensar. Caramba, e agora, um nome: Juliana? Fernanda? Roberta, Luiza, Cecília? Ana, Olívia. E repetiu Olívia, tá aí! E escreveu. Voltou ao msn e Marina ainda lá, away, como sempre. Ele entrou ocupado. Com o pretexto do trabalho pois seu texto ainda estava curto, queria ficar pouco tempo no msn. Entrou e ficou ocupado. Uma das estagiárias estava conectada e passou um monte de informação para Marcelo, que ficou quase meia hora trabalhando na internet. Marina disse:
Ei, Marcelo!
Tudo bem?
Marcelo interrompeu o que fazia e foi conversar com Marina. Conversaram um bom tempo e muito sobre a viagem à América Latina, estavam bastante entusiasmados pois Marcelo, se embriagando sozinho, foi dando corda pro que Marina dizia e acabaram criando a possibilidade de Marcelo ir. Para Marina, conhecer Marcelo e Bia pessoalmente e oficialmente era algo incomum nas suas duas vidas, a real e a virtual. Mas Marina estava muito disposta a arriscar com Marcelo, mesmo sabendo que ele era homossexual. O que importava a ela era somente que o amava e nada mais. Decidiu que valia a pena insistir com Marcelo em irem juntos nessa viagem e conseguiu. Agora, era hora de fazer acontecer, pensava Marina. E Marcelo se despediu depois de perguntar a data de embarque e o preço da passagem. Marina disse que a idéia era ir final de setembro e enviou um link com algumas passagens e preços de hospedagem. Marcelo disse que final de setembro era ótimo que ele tinha férias pra tirar por essa época. Marina se empolgou e ficou cheia de esperanças do outro lado. Marcelo viu o msn piscar com mais trabalho chegando, leu, salvou e olhou a hora. Já era madrugada alta. Se despediu da estagiária, de Marina e saiu do msn. Voltou para o seu texto e não conseguia escrever nada. Salvou o arquivo inacabado. Pegou a garrafa de vinho, fechou o computador e levantou. Foi até a geladeira e achou alguns queijos e azeitonas. Misturou com azeite e ervas e serviu em uma tábua. Aproveitou e tomou três copos de água. Comeu um pouco e depois serviu mais um pouco de vinho. Ligou o som e só tinha rádio funcionando. Ouviu um pouco de tudo, entre Even Flow, a última do Jota Quest, um groove eletrônico, música romântica, samba, A-ha, Shakira e colocou no modo auxiliar. Foi até a varanda e pegou o laptop, conectou no som e ligou uma música eletrônica bem suave. Diminuiu a luz, encheu a taça de vinho até pouco mais da metade, colocou a tábua com o queijo na mesinha e sentou no tapete. Esticou as pernas, acendeu um cigarro e terminou a noite ali, adormecido no tapete da sala.

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